Eletrobrás almeja voo global

published on 22.03.2010
: Meio & Mensagem Online Por Robert Galbbraith

Com o objetivo de se posicionar como uma empresa global de energia elétrica, a Eletrobrás apresenta nesta semana sua nova identidade visual, resultado de quase um ano de trabalho em parceria com a Ana Couto Branding e Design. Dessa forma, as 16 subsidiárias do sistema Eletrobrás aposentam suas logomarcas próprias e assumem a identidade conjunta para facilitar a compreensão do público de que fazem parte de um mesmo guarda-chuva corporativo. Todas passam a adotar Eletrobrás à frente de seus nomes originais: Eletrobrás - Furnas, por exemplo. A única exceção é a usina de Itaipu, em função de o governo brasileiro dividir seu controle com o Paraguai.

A Agência3, responsável pela publicidade da estatal há dois anos, coloca no ar a partir de terça-feira 23 uma campanha composta de quatro filmes produzidos pela Cinevideo, cada um destacando a mudança através de um tema diferente: nova marca; sustentabilidade e energias renováveis; geração, transmissão e distribuição de energia; e cultura e patrocínio esportivo. Todos os comerciais terminam com a assinatura "Energia para novos tempos".

Pôr um fim à confusão visual e institucional causadas por 16 marcas diferentes não foi a única motivação da Eletrobrás para a mudança, que exigiu investimento de R$ 1 milhão. Luiz Carlos Figueira, diretor responsável pelo marketing da empresa, explica que o trabalho de renovação visual se tornou necessário por conta do novo posicionamento estratégico da companhia, que envolve também seus empreendimentos no exterior.

Através de parcerias locais, a Eletrobrás tem participação em usinas de geração e transmissão de energia na América Latina (Argentina, Paraguai, Venezuela e Nicarágua) e na África (Angola e Namíbia). Para este ano, o orçamento da estatal prevê mais R$ 7 bilhões em investimentos. "A Eletrobrás tem um know-how de nível internacional no setor elétrico, o que a credencia como player global. Mas, para consolidar essa expansão, o ajuste da marca é fundamental", considera Figueira.

Para Ana Couto, que liderou as pesquisas com 78 executivos da empresa a fim de traçar a nova identidade, o reflexo de uma marca fraca tinha efeito até no valor da companhia no mercado financeiro. Enquanto o patrimônio é avaliado em R$ 80 bilhões, o valor indicado pelo movimento das ações quando lançadas na Bolsa de Nova York em 2008 não passou de R$ 30 bilhões - hoje está próximo dos R$ 50 bilhões. "Uma marca bem resolvida ajuda na percepção de valor", sustenta Ana.

Até então, cada uma das subsidiárias tinha autonomia para desenvolver sua própria comunicação com agências diferentes. A partir de agora, no entanto, elas vão seguir um padrão estabelecido pela corporação. Figueira admite que, caso a expansão no exterior traga os frutos esperados, é bastante provável que seja feita uma licitação, a partir do próximo ano, exclusivamente para a comunicação internacional.




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